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Floripa, cidade de praia

February 6, 2017

Em um pedacinho de terra perdido no mar, uma cidade se constitui. Inserida dentro de uma ilha, Florianópolis é presenteada por uma geografia conformada por belas paisagens naturais onde o grande delimitador da territorialidade perimetral são as mais de 40 praias. Quem vive na cidade, constantemente ouve a frase, “Floripa, cidade de praia!” pronunciada como um ideal urbano. Entretanto, essa frase só enaltece a potencialidade natural que a envolve, negligenciando o fato de que juntamente com a praia, existe também uma cidade.

 

A partir desta frase tão comum na venda da imagem urbana, o Bloco B arquitetura retratou situações observadas nas praias de Florianópolis, só que desta vez, vividas por personagens descontextuaizados e sobrepostos nos espaços urbanos da cidade. Em tais retratos, a provocação nas imagens é uma crítica à ideia de modelo de cidade “ideal”, observado nos encartes turísticos, e uma tentativa de voltarmos o olhar as deficiências existentes nos nossos espaços públicos urbanos. 

Pensar a cidade a partir de um olhar urbano é pensar também na vida cotidiana, já que diferente de outras cidades litorâneas, em Florianópolis o espaço da praia não está diretamente conectado as centralidades de serviços e trabalho, como acontece no Rio de Janeiro ou em Vitória, por exemplo. Pensar no urbano não significa esquecer o natural, mas investir na qualificação das infraestruturas do cotidiano e na conexão de ambos espaços através de áreas públicas como praças ou parques ambientais.

 

Segundo estudos, o melhoramento das calçadas, por exemplo, faz com que sejam reduzidos investimentos em saúde causados por acidentes do cotidiano, como tropeçar em um buraco. E então por que não se qualificam espaços públicos, se estes exigem pouco investimento, curto prazo de execução e retorno direto a saúde da população?

Isso nos faz voltar novamente ao modelo de cidade que é vendido e produzido, pensado na especulação do território.  É possível perceber um direcionamento de investimentos a regiões da cidade que, por ironia, são as partes mais desenvolvidas turísticamente. Por isso, a campanha #floripacidadedepraia foi realizada em julho de 2016, em pleno inverno, quando a praia em si é esquecida. Foram repensadas as ironias que condicionam a formação da cidade e a praia foi trazida para o cotidiano.

 

Passar a arrebentação, por exemplo, se tornou atravessar ruas sem faixas de pedestres. Essa descontextualização traz à tona a discussão sobre a supervalorização do espaço do automóvel na cidade, no qual tenta-se cada vez mais vencer um déficit viário ao invés de investir no transporte público como possibilidade de restaurar o cotidiano dos habitantes. O direcionamento dos investimentos para a construção da cidade “ideal” é demonstrado claramente nos estudos realizados pela PLAMUS, que revela os seguintes dados: 47,75% dos habitantes de Florianópolis se locomove de através de automóvel individual e motorizado enquanto 26,44% através de transporte público  e 25,81% em transporte não motorizado. Uma cidade pensada para automóveis não se desenvolve na escala humana.

 

Abrir um guarda-sol em pleno centro urbano também se tornou uma possibilidade quando não há um cuidado paisagístico nas áreas mais urbanizadas da cidade, um descuido as ambiências urbanas estimulado pela desculpa da natureza em abundância das praias.

Seria então, a chamada carinhosamente de Floripa, uma CIDADE de praias ou uma cidade com praias? 

 

Para recuperar a memória de Desterro, antigo nome dado à ilha, é preciso qualificar a vida dos desterrados através da adoção de medidas que garantam uma mobilidade urbana  sem bandeiras vermelhas, que vise a acessibilidade e a segurança dos pedestres. Na busca por uma cidade ideal os tubarões são combatidos priorizando a mobilidade das pessoas e não dos veículos e tratando com efetividade a melhoria das condições ambientais através da qualificação dos espaços públicos. Dessa forma, quem sabe um dia sejamos, enfim, uma cidade de praia.

 


 

 

 

 PS. Buscando dar continuidade a hashtag, intervimos novamente na cidade, dessa vez, em forma de stencil. Utilizando a mesma enfase irônica, espalhamos pela cidade bandeiras de perigo', nas calçadas onde havia falta de manutenção. Mas isso, é papo para um próximo post...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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